Frank Brown liderava a prova nos 5Kms finais quando sofreu um colapso em sua vela e foi obrigado a tentar um caminho alternativo para atingir o raio de 400metros do ponto determinado como gol. Este outro caminho tinha como "obstáculo" um pequeno lago, que Frank não conseguiu ultrapassar e foi obrigado a pousar na água. A expectativa ficou até o momento da marcação dos vôos pra saber se os GPSs dele não haviam sido danificados, o que comprometeria a colocação do hexacampeão brasileiro. Apesar de não aparecerem as informações no visor do GPS, os dados puderam ser baixados no computador e garantiram o vice-campeonato para o capixaba.
Brasileiros são maioria no I Cusco Open de Parapente
A competição, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de Outubro, contou com a participação de mais de dez pilotos brasileiros, além de europeus, americanos e outros representantes da América do Sul. É a primeira vez que a antiga capital do Império Inca recebeu uma competição internacional de parapente.
A maioria dos pilotos brasileiros chegou a Cusco na terça-feira, dia 17. Aconselhados pelo amigo e organizador do evento, Richard Pethigal, todos tiraram o dia para descansar e adaptar o corpo à altitude. A cidade de Cusco fica a 3400 metros acima do nível do mar e o teto de vôo ultrapassa os 6mil metros.
Quarta-feira chegaram os pilotos Frank Brown, Luciano Tcacenco "Bafinho" e Aline Carlette, a única brasileira na competição. Enquanto eles se aclimatavam na altitude, Éverton Seco, Sérgio Garganta, Maurinho Praça e Homero Cemin seguiram para a área da competição. Com a condição extremamente forte, normal por essa região, Homero resolveu não decolar. Seco, Maurinho e Sérgio seguiram para um vôo turbulento pelo vale.
O destaque do dia ficou por conta da térmica de mais de 14metros por segundo que um piloto austríaco pegou, seguido pelo comentário de ter feito o vôo mais forte da vida dele, o detalhe é que a Áustria é um dos locais de condições mais fortes do mundo. Outro piloto americano atingiu os 6200metros de altitude durante o vôo.
Os outros brasileiros, Rafael Carvalho, Cristiano Ricci, Márcio Pinto e Claudio Consolo optaram por fazer um passeio turístico à cidade mística de Machu Pichu.
Quinta-feira, dia 19 de Outubro
O primeiro dia de competição do Cusco Open teve a prova cancelada por causa de uma frente fria que passa pela região. Apesar de não haver competição, a organização fez uma prova de cerca de 20Kms apenas para abrir o evento com um vôo pelo vale. Apesar do tempo nublado, alguns pilotos conseguiram ganhar boa altura e fazer um bom vôo.
A cerimônia de abertura do evento contou com diversos rituais indígenas da região, como a preparação da Wathia, que consiste em assar batatas enterradas em um forno de terra, e a queima de algumas ervas locais em agradecimento aos deuses Incas.
Foi uma das cerimônias de abertura mais interessantes e envolventes que todos os pilotos brasileiros participaram até hoje.
Sexta-feira, dia 20 de Outubro
Ainda sob influência do sistema frontal que passa pela região, as condições não ajudaram e mais uma vez a prova foi cancelada. O forte vento e grandes nuvens assutaram os pilotos já receosos com a forte condição do local. Várias provas foram definidas pela comisssão técnica, que aguardava uma melhora na condição, mas infelizmente nenhum piloto decolou para a competição.
Como alternativa para o dia, a organização ofereceu um passeio a algumas ruínas Incas próximas à área de decolagem.
Depois de chover no início da tarde, o tempo melhorou e o sol apareceu na antiga capital do Império Inca, o que aumenta a expectativa de bons vôos nas duas últimas provas da competição.
Autor: Caio Salles